Depois não digam que não avisei.
Nunca antes Barack Obama soou tão falso como na explicação da nova estratégia US americana no Afeganistão. Aqui não falou o premiado com um Nobel da Paz, ele quase parecia seu antecessor Bush.
Introdução da reportagem publicada na edição alemã do Spiegel.
Quando critiquei Obama no passado recente pelo seu discurso meio-mole meio-malandro, eu não fazia isto por discordar da necessidade em se usar a diplomacia e não a pancada pura e simples. Muitos me criticaram, meus amigos discordaram.
Alguns pensavam que estava sendo alimentado pela direita dos USA e seus simpatizantes em língua portuguesa, minha motivação era tanto na época como agora completamente oposta à este tipo de alinhamento ideológico, não gosto de Obama não por ele não ser de direita, mas exatamente por assumir todos os vícios da direita. Ele não me pareceu confiável na época, ele ainda hoje não me parece confiável.
Agora temos o caso do envio de 30.000 soldados ao Afeganistão, Obama faz pressão sobre seus aliados para que assumam sua parte, tensões aumentam, pontos de atrito entre Europa e USA se ampliam. pelo menos Angela Merkel está se fazendo de desentendida e tentando ganhar tempo.
Algumas passagens do artigo publicado na Spiegel sobre o discurso de Obama na Academia de WestPoint:
Ninguém precisa ser cadete da academia para se sentir desconfortável, seu discurso foi o mais duvidoso que Obama fez até hoje. Ele falou sobre responsabilidade, mas seu texto cheirava à tática de seu partido, ele exigia espírito de sacrifício, mas não conseguiu justificar…sacrifício para o que ?
30.000 soldados deverão marchar ao Afeganistão e logo depois voltar para casa. A América marcha para a guerra para logo depois dar meia volta e marchar para a paz, um discurso de um premiado pelo Nobel da Guerra.
Para os dois movimentos da tropa, a marcha para a guerra e a marcha para a paz, Obama tem números preparados na manga: O número de soldados, em comparação ao tempo de Bush, será triplicado. Isto deverá impressionar os “falcões” domésticos.
Depois de 18 meses, pontualmente às vespéras das próximas eleições presidenciais, o terror da guerra deverá ser encerrado e o retorno dos soldados ao lar deverá se iniciar, os pombos da paz desta vez serão premiados.
E assim foi se desenrolando o discurso de Obama, como se o atual presidente tivesse pego um manuscrito de algum discurso de sua campanha eleitoral e o tivesse unido, misturado, com algum discurso da biblioteca de Bush. Extremistas matam inocentes e nome de sua religião, mas o Islã é “fenomenal”. Logo vão depositar toda a responsabilidade nas mãos do presidente afegão, Hamid Karzai, mas com certeza ele é um corrupto. O Talibã é perigoso e está ganhando forças, mas a América precisa mostrar também sua força terminando esta guerra.
Com esta velocidade, do começo ao final. Com conversas sobre a marcha à guerra e logo depois retorno ao lar, qualquer um ficaria tonto. Um tipo de velocidade só conhecida no teatro revolucionário francês. Ou seja, avanço de tropas vindo da direita, canhoneios pesados em cima, retirada para a esquerda e no final todos os mortos retornam ao palco.
Dois discursos num só, e por isto mesmo duvidoso.
O problema é que desta vez o espetáculo não agradou o público, ao contrário ele o confundiu. Em diversos setores ou segmentos já se pode constatar nas últimas semanas, o talento de Obama não funciona mais, a atratividade de suas palavras vai se enfraquecendo.
Considerações finais
Entendendo que uma ação militar no Afeganistão só é justificável se ela for acompanhada de um amplo programa de cooperação técnica e econômica, compreendendo que num país dominado por warlords e corruptos tal programa é de sucesso duvidoso. Considerando que o verdadeiro ninho da serpente não é o Afeganistão, mas o Paquistão que provém abrigo ao Taleban, a ação proposta por Obama é completamente absurda. Com uma fronteira permeável e com a produção de fanáticos a todo vapor as tropas vão continuar matando civis, o modelo típico do circulo vicioso, o único beneficiado neste esquema é Karzan. Agora que Obama promete retirar a tropa que ainda sequer colocou por lá, resta ao Taleban continuar com sua tática de guerrilha e esperar até que o nosso pombo da paz Hussein Obama retire seus soldados e os demais países façam o mesmo. O resto nós já vimos acontecer, logo depois que a Rússia retirou suas tropas os fanáticos transformaram o Afeganistão numa terra de zumbis, vai acontecer novamente.
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