Felix Dhimmi

A tolerância não é infinita. Ela também tem seu limite e este limite se encontra na intolerância do outro, Helmut Schmidt.

Hussein Obama, o guerreiro da paz.

Depois não digam que não avisei.

Nunca antes Barack Obama soou tão falso como na explicação da nova estratégia US americana no Afeganistão. Aqui não falou o premiado com um Nobel da Paz, ele quase parecia seu antecessor Bush.

Introdução da reportagem publicada na edição alemã do Spiegel.

Quando critiquei Obama no passado recente pelo seu discurso meio-mole meio-malandro, eu não fazia isto por discordar da necessidade em se usar a diplomacia e não a pancada pura e simples.  Muitos me criticaram, meus amigos discordaram.

Alguns pensavam que estava sendo alimentado pela direita dos USA e seus simpatizantes  em língua portuguesa, minha motivação era tanto na época como agora completamente oposta à este tipo de alinhamento ideológico, não gosto de Obama não por ele não ser de direita, mas exatamente por assumir todos os vícios da direita.  Ele não me pareceu confiável na época, ele ainda hoje não me parece confiável.

Agora temos o caso do envio de 30.000 soldados ao Afeganistão, Obama faz pressão sobre seus aliados para que assumam sua parte, tensões aumentam, pontos de atrito entre Europa e USA se ampliam. pelo menos Angela Merkel está se fazendo de desentendida e tentando ganhar tempo.

Algumas passagens do artigo publicado na Spiegel sobre o discurso de Obama na Academia de WestPoint:

Ninguém precisa ser cadete da academia para se sentir desconfortável,  seu discurso foi o mais duvidoso que Obama fez até hoje. Ele falou sobre responsabilidade, mas seu texto cheirava à tática de seu partido, ele exigia espírito de sacrifício, mas não conseguiu justificar…sacrifício para o que ?

30.000 soldados deverão marchar ao Afeganistão e logo depois voltar para casa. A América marcha para a guerra para logo depois dar meia volta e marchar para a paz, um discurso de um premiado pelo Nobel da Guerra.

Para os dois movimentos da tropa, a marcha para a guerra e a marcha para a paz, Obama tem números preparados na manga: O número de soldados, em comparação ao tempo de Bush, será triplicado. Isto deverá impressionar os “falcões” domésticos.

Depois de 18 meses, pontualmente às vespéras das próximas eleições presidenciais, o terror da guerra deverá ser encerrado e o retorno dos soldados ao lar deverá se iniciar, os pombos da paz desta vez serão premiados.

E assim foi se desenrolando o discurso de Obama, como se o atual presidente tivesse pego um manuscrito de algum discurso de sua campanha eleitoral e o tivesse unido, misturado, com algum discurso da biblioteca de Bush. Extremistas matam inocentes e nome de sua religião, mas o Islã é “fenomenal”. Logo vão depositar toda a responsabilidade nas mãos do presidente afegão, Hamid Karzai, mas com certeza ele é um corrupto. O Talibã é perigoso e está ganhando forças, mas a América precisa mostrar também sua força terminando esta guerra.

Com esta velocidade, do começo ao final. Com conversas sobre a marcha à guerra e logo depois retorno ao lar, qualquer um ficaria tonto. Um tipo de velocidade só conhecida no teatro revolucionário francês. Ou seja, avanço de tropas vindo da direita, canhoneios pesados em cima, retirada para a esquerda e no final todos os mortos retornam ao palco.

Dois discursos num só, e por isto mesmo duvidoso.

O problema é que desta vez o espetáculo não agradou o público, ao contrário ele o confundiu. Em diversos setores ou segmentos já se pode constatar nas últimas semanas, o talento de Obama não funciona mais, a atratividade de suas palavras vai se enfraquecendo.


Considerações finais

Entendendo que uma ação militar no Afeganistão só é justificável se ela for acompanhada de um amplo programa de cooperação técnica e econômica, compreendendo que num país dominado por warlords e corruptos tal programa é de sucesso duvidoso. Considerando que o verdadeiro ninho da serpente não é o Afeganistão, mas o Paquistão que provém abrigo ao Taleban, a ação proposta por Obama é completamente absurda. Com uma fronteira permeável e com a produção de fanáticos a todo vapor as tropas vão continuar matando civis, o modelo típico do circulo vicioso, o único beneficiado neste esquema é Karzan. Agora que Obama promete retirar a tropa que ainda sequer colocou por lá, resta ao Taleban continuar com sua tática de guerrilha e esperar até que o nosso pombo da paz Hussein Obama retire seus soldados e os demais países façam o mesmo. O resto nós já vimos acontecer, logo depois que a Rússia retirou suas tropas os fanáticos transformaram o Afeganistão numa terra de zumbis, vai acontecer novamente.

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Minaretes, islâmicos, nazistas e julgamentos precipitados.

O mundo está de queixo caído, a Europa está de boca aberta e eu nem sei mais para onde a coisa vai.

Reflexões sobre uma crise de identidade, ou…”quem não conhece a si mesmo tem medo de qualquer estranho…”

Anos atrás debatia exatamente a questão das mesquitas na Alemanha, na época era Colônia a cidade em questão, os espíritos estavam aguçados e qualquer pessoa que tentasse defender qualquer postura crítica ou dura em relação aos muçulmanos era imediata e irrevogavelmente taxada como fascista, eu o fui e até hoje esta sombra me acompanha.

E hoje ?

Mehmet II, o conquistador. Nome típico de mesquitas na Europa.

Hoje eu diria a você que mantenho exatamente o mesmo ponto de vista, sem crítica e abertura não há como negociar coisa alguma e colocar ao lado da catedral de Colônia um minarete em uma mesquita, que provavelmente vai ser nomeada mais uma vez, como outras mais de trezentas mesquitas na Alemanha, como a “mesquita do conquistador” , em honra daquele sultão que passou o cerol em Constantinopla para a glória de Alá ,isto é um pouco além da conta, pelo menos na minha opinião.

A discussão na Alemanha  infelizmente foi encerrada depois que foi apossada por neo-nazistas. Infelizmente pois da discussão aberta e sem lero-lero poderíamos ter construído algo bem melhor do que aquilo que hoje temos, e talvez o caso suíço nunca tivesse acontecido, convenhamos, delegar uma decisão de tal seriedade, uma decisão sobre um direito fundamental à um plebiscito, isto me parece coisa de matusquela, democracia para mim não é isto não.

Na época(2007) intelectuais de primeira linha como Ralph Giordano ou Henryk Broder que estavam criticando duramente a posição islâmica, percebendo o perigo em cerrar fileiras com o pior traste da sociedade alemã, preferiram se retirar de campo, o tema esfriou mas o problema não, ele continua presente e agora com certeza vai voltar à pauta do dia depois desta bomba vindo da Suiça.

Ralph Giordano e sua crítica à elite turca na Alemanha.

Quem é Giordano ?Ralphgiordano wiki

Ele é uma referência moral, um sobrevivente do Holocausto, membro de uma elite de pensadores que permaneceram na Alemanha pós guerra. Giordano não é um irresponsável, é um senhor respeitável que defende princípios democráticos, sabe para onde caminha uma sociedade que rejeita estes princípios e conhece o peso de suas afirmações públicas.

Uma matéria no New York Times sobre o caso.

Em contra-ponto à qualquer matéria que relacione um movimento de resistência à minaretes ou mesquitas, seja na Alemanha ou na Suíça,  exclusivamente  a movimentos de extrema direita, segue um trecho de reportagem publicada no idioma alemão no magazine Focus em setembro e 2007:

A incapacidade para a reflexão.

“Permitam-me falar mais uma coisa sobre esta duvidosa  postura ofendida das entidades representativas islâmicas na Alemanha, principalmente para a DITIB, entidade que é ligada ao departamento religioso estatal turco Diyanet”…”Apesar de afirmarem com insistência sua lealdade à constituição alemã, seu alegado secularismo não resiste à nenhuma análise. Críticos turcos afirmam que na verdade migraram para a situação de uma organização nacionalista-radical com ligações a agremiações e partidos políticos que ao invés de apoiarem a integração através da afirmação da identidade de seus membros, religiosos turcos estariam recebendo treinamento para propagarem a negação do massacre ocorrido aos armênios, isto não passa de uma “mentira de Auschwitz”, só que desta vez expressa no idioma turco”(alusão aos negacionistas neo-nazistas que procuram diminuir o massacre em Auschwitz).

“O que conhecemos sobre as atividades de diversas entidades islâmicas que não estão representadas por vocês ? E que honestidade existe nas afirmações que fazem sobre o reconhecimento dos princípios da democracia secular ? “

“…a DITIB e outras agremiações islâmicas gritam alto sobre liberdade religiosa, como se por acaso alguém aqui estivesse colocando isto em risco. Esta postura teria mais seriedade se existisse algum paralelo, mesmo que mínimo, em se notar algum esforço por uma liberdade religiosa também na Turquia, mas estes sinais não existem.”

Matéria completa no idioma alemão no magazine Focus-Cicero

Dois bicudos não se beijam.

Afirmar que os problemas de relacionamento entre alemães, ou europeus, com os muçulmanos seja uma culpa exclusiva destes últimos não é correto.

Aqui temos um 50-50, ambas as partes desempenham seu papel para a desarmonia. Se muçulmanos se isolam e procuram fazer valer sua posição além daquilo que consideramos correto, os alemães no caso são tipicamente  resistentes aos estranhos, os europeus são assim, e o suíços um tanto piores.

Enquanto as entidades islâmicas fazem um jogo perigoso com a paciência alheia, enquanto muitas comunidades agem como verdadeiros ninhos de ódio anti-semita e existem exemplos aos montes para se citar, grupos neo-nazistas e políticos populistas europeus vêem a situação como uma grande chance para ganharem peso junto à um eleitorado acrítico. Criou-se um sistema de ódio perigoso.

Estrangeiros não islâmicos acabaram sendo incluídos nisto, pois de uma desconfiança e animosidade contra islâmicos o problema se espalhou para outros grupos e minorias que nenhuma relação possuem com a coisa. A colaboração e pressão das lideranças islâmicas era e é fundamental, mas escolheram o isolamento e a eterna situação de ofendidos, como se a sociedade como um todo tivesse a obrigação de aturar sua desfaçatez e arrogância, eles se isolam em seus nichos, cooperam com os radicais de direita e racistas, e quem os crítica, estes acabam sendo os rotulados como anti-democráticos e intolerantes, isto não é só um erro, é uma tremenda prova de desconhecimento sobre a realidade social européia.

Pior do que isto no entanto é associar qualquer postura contra a cara-de-pau islâmica ao nacional-socialismo, ou mesmo associar uma resistência genuína contra uma tomada agressiva de espaço social por um grupo impermeável à outros na sociedade, como coisa de nazistas, como se Ahmadinedjad, ele mesmo um islâmico, não fosse celebrado sem reservas pelos nazis, este é seu mais novo herói.

Querer fazer uma relação entre o passado nazista e o presente, querer relacionar os problemas atuais que a Alemanha e Europa enfrentam com milhões de muçulmanos não integrados é um erro e é um perigo.

Muçulmanos não são perseguidos mas procuram para si a condição de vítimas, mais do que isto, se categorizam como os “novos judeus” da Europa,  fazem isto enquanto condenam Israel e enquanto gritam palavras de ordem pela destruição deste país.

Aqueles que reconhecem o perigo e o combatem acabam entre dois fronts, um deles é a extrema direita e outro o movimento político islâmico, para o mundo tanto faz, decretaram que o exercício de resistência ao obscurantismo é fascismo, tenho a impressão em presenciar a mesma postura covarde que existia no período que antecedeu a segunda grande guerra, quando ninguém realmente acreditava no potencial de destruição e ódio que o nacional socialismo carregava consigo.

Proteger os intolerantes é investir na perseguição de inocentes, existem dois grupos intolerantes neste sistema europeu, junte à isto uma enorme crise de identidade que estes europeus estão experimentando dentro da  criação da União Européia, este é um fato, o medo vem daquilo que você não conhece, e sua capacidade em conhecer depende do quanto você mesmo se conhece, europeus ainda não sabem quem são.

Sobre   a situação na França:

Depois que o Islã passou à invadir a esfera pública as organizações islâmicas mudaram de atitude sob influência de setores políticos dentro de sua religião, aqui é necessário se diferenciar as coisas e conceituar o islamismo como movimento político dentro de uma religião e não uma religião em si. Organizações islâmicas passaram a encarar a posição católica em relação ao Estado como sinal de fraqueza, mesmo a concessão de capelas aos muçulmanos foi tanto encarada como propagada como uma vitória do Islã sobre o cristianismo, após esta inversão islâmica a ICAR passou a ser defensora do laicismo francês.

leia mais…

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Itália, um pedaço do Brasil na Europa, ou vice-versa.

A Europa não se expandiu, ela inchou. Neste processo estão ocorrendo absurdos sem fim, o último é o caso da República Checa e seu teatro para ratificar, assinar, o Tratado de Lisboa. (para entender as implicações deste tratado de uma olhada aqui).

Mas o vídeo abaixo mostra que o Brasil não está sozinho no que concerne ilegalidade, crime e indiferença civil.

O pistoleiro mafioso entra tranqüilamente na lojinha, ao sair fuzila um cidadão que de acordo com o vídeo teria 53 anos de idade. O que provoca certa surpresa é a reação de duas pessoas, testemunhas presentes no local.

A mulher a direita no vídeo percebe e se retira sem grande alarde, também no lado direito quase no final você vê um homem empilhando jornais, ele olha a vítima sangrando no chão e faz como se o problema não fosse seu, sintomas de uma sociedade mergulhada no crime, cúmplice.

Isto também é Europa, em sua piar face.

Vídeo com comentários de Roberto Saviano.

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Preto no Branco, o novo filme de Günther Wallraff

swauf weissSCHWARZ AUF WEISS

PRETO NO BRANCO

Desta vez Günter Wallraff faz uma viagem pela Alemanha disfarçado como negro, as histórias que ele tem para nos contar são de certa forma parte do cotidiano, seja na tentativa em se alugar um imóvel, seja num ônibus durante um fim-de-semana em Leipzig, ou onde quer fosse na Alemanha, de norte a sul, Wallraff tem um exemplo adequado de racismo e desprezo que uma significante parcela dos alemães étnicos possuem em relação ao povo de origem africana e à estrangeiros de maneira geral.

Quem mora na Alemanha sabe disto, conhece casos e mais casos, a idiotia dos racistas acaba sendo aceita como fato acabado por nós que moramos neste país.

As criticas à Wallraff já começaram, muitos racistas andaram perdendo o resto de vergonha na cara que possuíam e andam escancarando suas perversões pela imprensa alemã, neste contexto a obra de Wallraff é bem-vinda e um auxílio ao combate ao racismo e a discriminação.

Apresentação do filme:

Links:

Entrevista de Wallraff à D Kultur rádio

Website oficial do filme.

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Massacre de Golfinhos no Japão.

A cultura e civilização japoneses são formidáveis, arte, ciência, tecnologia, japoneses contam com meu respeito.

No entanto o que hoje está sendo apresentado é um dos mais raros espetáculos de barbarismo e selvageria que já presenciei. Não sou do tipo romântico que defende animais e se esquece dos humanos, existem problemas de arrepiar o cabelo para resolvermos entre nós bípedes e homo sapiens, mas o fato de golfinhos, animais de extrema inteligência, estarem sendo massacrados como o documentário que origina este artigo de blog provou, mostra que o povo japonês precisa acordar e exercer pressão contra mercenários sem freios, aliás a pressão tem que vir de todos os lados e não só dos japoneses, no final do artigo você encontra o link para o site da campanha internacional relacionada ao tema.

O documentário:

The Cove

Vídeo abaixo, logo mais complemento meu comentário a respeito:

O idealizador do filme-documentário sobre o assassinato de golfinhos no Japão (The Cove) é Ric O’Barry. Nos anos cinquenta foi treinador de golfinhos, aliás treinou o famoso Flipper, como ele mesmo conta em termos financeiros a coisa ia muito bem, não conseguiu no entanto ignorar a infelicidade dos animais em cativeiro. O que mudou sua postura em relação à manutenção de golfinhos em tanques e enormes aquários foi o caso de um Golfinho femêa, Sally, que cometeu suicídio em seus braços.

Golfinhos controlam sua respiração, ela não é automática, o animal se despediu do treinador, nadou para o fundo da piscina e fechou o orifício de respiração, morrendo sufocada. A partir deste ponto Ric O’Barry decidiu não só parar suas atividades como treinador como se transformou num ativista pela liberdade destes animais raros e inteligentes.

Convenhamos, um animal que pratica o suicídio tem consciência de sua existência, não pode terminá-la se não percebê-la, manter um Ser com tal sofisticação em cativeiro como se faz, é realmente um caso sério. O caso do japão é no entanto alguns degraus mais acima em termos de estupidez.

A cidade se chama Taiji, e pelas fotos um lugar realmente bonito. Mas neste lugar, longe dos olhos de curiosos e mesma de boa parte da população local sem falar dos japoneses de forma geral, eles encurralam milhares de golfinhos, alguns deles, os mais fortes e bacanas…estes eles vendem por até 100 mil dólares no mercado internacional, para estas companias que fazem show com os animais, os outros eles arpoam, fuzilam, espetam e vendem a carne que está comprovadamente contaminada com mercúrio, quem se lembra do caso de Minamata sabe o risco que isto representa.

The Cove,  site oficial do filme.

Site da campanha contra a matança de Golfinhos || Save Japan Dolphins.org

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Herta Müller, Um Nobel e um Oceano de ignorância.

A premiação de Herta Müller com um Nobel de literatura causou surpresa na Alemanha e no mundo. Podemos discutir os méritos da escritora à luz de suas obras, o que para o público brasileiro não seria fácil, existe somente uma obra traduzida de Müller em nosso idioma, mesmo existindo uma unica obra, mesmo assim discutir sua qualidade literária seria aceitável. Evidente que aqui deveríamos levar fatores em consideração, como a qualidade da tradução, e finalmente usando o bom senso concluirmos que mesmo os grandes escritores podem produzir obras pequenas.

Meu ponto aqui não se concentra na discussão da qualidade literária de Herta Müller,  mas no tipo de notícia que se produz sobre esta qualidade se usando argumentos primários, fracos ou até mesmo infantis.

Em blogs obscuros é possível se encontrar todo tipo de asneira, mas num jornal como o Estadão  encontrar afirmações como “escritora de segunda-categoria”, uma afirmação construída de forma estranhamente  diletante , o cheiro de manipulação política se intensifica num grau que até este blogueiro, cuja paciência é quase inesgotável, acaba sendo obrigado a ir ao teclado e registrar alguns pensamentos.

Herta Müller

Com certeza a escritora não é uma unanimidade sequer na Alemanha. Discussões sobre as circunstâncias do regime comunista romeno e sobre sua vida pregressa já ocuparam bom espaço em blogs políticos alemães mesmo antes da premiação com um Nobel de literatura, no entanto o retrato da brutalidade do regime de Ceausescu , seu registro é um ganho para a humanidade, não há como duvidar disto.

A imprensa brasileira e a premiação

atemsComo natural de São Paulo creio ser normal que me concentre na imprensa do meu estado e cidade natal, sem bairrismo aqui, aprecio a imprensa carioca da mesma forma, confesso não ler outras publicações além do eixo Rio-SP, mas isto não é determinado por nenhum sentimento em especial, e neste caso comento dois jornais paulistanos que trataram o tema de forma diversificada.

A notícia da Folha retratou o caso com frieza e competência, foi através deste jornal que descobri o link para download da última obra da escritora, o “Atemschaukel”, pena que leitores brasileiros ficaram na mão, a Libreka.de, empresa que disponibilizou a obra não oferecia o download para leitores fora da Alemanha e a obra foi oferecida no original em alemão, o que restringe o acesso de forma considerável, no entanto a Folha concedeu um serviço em tanto, estou lendo o livro, que não é coisa leve nem fácil.

Já no Estadão a situação foi um pouco diferente, e aqui me remeto ao blog publicado pelo jornalista Daniel Piza e sua inexplicável afirmação.

Ao abrir a primeira página eletrônica do Estadão me deparo com uma manchete no canto inferior esquerdo com o seguinte…

“Herta Müller..uma escritora de segunda categoria”.

Como acompanho com certa proximidade o tema seria evidente que seguiria o link para a matéria, o que encontrei me deixou tanto surpreso como realmente decepcionado com um blog que por estar alojado dentro de um veículo de comunicação como o Estadão  deveria seguir alguns critérios de qualidade, a matéria publicada me causou a sensação  de assistir  uma manifestação política apresentada como  critica literária.

O blogueiro em questão leu um unico livro da escritora, a partir daí a conceituou como sendo “de segunda-categoria”.

O problema com este tipo de afirmação não reside somente no fato de que críticos não estabelecem  um juízo desta natureza usando um livro como referência somente, e se levamos em consideração que a única obra disponível em português passou por uma tradução e que existem “traduções” e “traduções”,  então antes de sair disparando afirmações como amoklaufer e matar a dona na primeira cacetada,  seria mais correto pensar um pouco antes de se escrever, Daniel Piza não fez isto e não concedeu o direito da dúvida à autora, o livro comentado, a tradução de sua obra poderia gerar alguma coisa  sobre este ser um livro de “segunda categoria”, mas  taxar logo a escritora ? Estranho.

As críticas feitas atualmente a Herta Muller  não seriam tão interessantes se não reunissem aspectos políticos relevantes à Europa, à Alemanha e até aos USA.

Em primeiro lugar a premiação de Obama para o Nobel da Paz lançou uma luz muito diferente sobre a instituição que concede esta honra, apesar de estarmos falando de prêmios diferentes, em áreas diferentes do gênio humano, o impacto político do caso Obama acaba se irradiando para as demais modalidades, o caso Herta Müller se enquadra muito bem aqui.

De uma hora para outra grupos pelo mundo afora começam a ver o prêmio como algo “da Europa” e assim deveria ser arquivado em algum canto escuro do esquecimento, para um país que ruma a passos largos senão à insignificância, pelo menos à uma importãncia  bem menor a alguma que já tenha possuído, verificar que um comitê europeu tenha tanto poder em exercer influência dentro de seu país do que qualquer outro grupo local, e o prêmio à Obama chocou os us americanos, isto abalou profundamente um povo que percebe sem poder evitar, o declínio de seu império.

Herta Müller pois, pegou a rebarba deste sentimento anti-europeu e anti-Nobel, existem no entanto agravantes no caso.

A premiada é filha de um ex Waffen SS e aqui sentimentos anti-teutônicos desempenham também seu papel. Na Polônia os comentários foram similares aos publicados no blog do Estadão ( jornal “Rzeczpospolita”) , mas ao contrário do blog brasileiro que preferiu justificar uma opinião de forma não muito feliz, os poloneses foram ao ponto.

Na opinião polonesa o que ocorre é uma tentativa em se se alterar o status alemão na hierarquia das vítimas do nacional-socialismo, ou mesmo que estão querendo transformar os alemães em vítimas. Um pouco pior, na opinião polonesa a filha de um ex SS não seria honrada o suficiente para receber tal prêmio.

Opiniões políticas à margem do tema

A discussão, (se o leitor ainda não conseguiu entender  o tema é realmente complexo) gravita também no eixo Polônia-República Tcheka e Alemanha. Num momento em que o Tratado de Lisboa da União Européia começa a assumir contornos de um fato, e este tratado é antes de mais nada uma constituição européia  pois  abre portas jurídicas  às minorias alemãs que foram expulsas nos dois países acima,  Herta Müller apesar de não possuir ligação seja com a Polônia seja com a R.Tcheka é membro de uma minoria alemã romena, para grupos preocupados com processos judiciais para reintegração de posses confiscadas aos alemães a honra à  Müller não poderia vir em hora pior.

Por fim temos aqui os USA e sua tentativa em sabotar o processo de integração européia via leste europeu. Desde Bush as tentativas foram ferrenhas, seja com a instalação de prisões secretas pela CIA em solo europeu, seja com a tentativa em se instalar mísseis na fronteira com a Rússia ou mesmo a ingerência US americana no processo eleitoral europeu na Irlanda, onde obtiveram sucesso numa primeira votação. A consolidação da União Européia em seu novo formato faz a NATO ser obsoleta, com isto e mais uma série de fatores econômicos decorrentes de uma comunidade quase federalista européia com um mercado de mais de 500 milhões de consumidores, o caminho dos USA como potência única dominante tem seus dias contados. Grupos que concedem apoio incondicional aos USA não podem deixar a crítica à Europa cair no vazio, e no Brasil estes grupos são bastante ativos.

Evidente que se consideramos a situação de ingerência dos USA em assuntos da formação da Federação Européia via leste europeu temos que considerar também que os novos membros do antigo bloco comunista  são dirigidos por governos corruptos formados à sombra do totalitarismo, opressão e violência,  com  tradição democrática zero, exatamente esta porta da corrupção e da vileza os USA utilizaram, a vinda de Obama e a crise financeira fizeram os planos de conquista pela divisão irem por água abaixo.

O tema passa ainda pela formação de uma consciência de cidadania na Alemanha, Herta Müller pertence ao processo, a discussão prossegue de forma mais que interessante, a Europa era uma colcha de retalhos formada por nações que carregavam o peso de séculos de guerras e destruição, hoje é o maior laboratório social e político do mundo, e isto meus caros, é fascinante.

Um artigo interessante você pode ler aqui…Why Herta Muller matters publicado no suplemento cultural do Guardian, no outro extremo do julgamento um link brasileiro…com um artigo polêmico, para expressar a coisa de forma civilizada…. se levamos a sério o uso de “Besta” como adjetivo só podemos concluir que os brasileiros estão mal servidos.

“Agora, para uma tal de Herta Müller, nascida na Romênia mas apresentada como alemã (escreve em alemão).”….”..“Besta” Müller decerto não tem uma obra consistente como a de Roth, McEwan, Llosa e Martin Amis, mas os julgadores do Nobel, novidadeiros e ideológicos, como são em geral os acadêmicos,…”

Sem dúvida uma análise “boa para burro”.

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O Brasil, o Vaticano e os nazistas de Sarney.

“Ele [O Estado de S. Paulo] vem se empenhando em uma campanha sistemática conta mim, uma prática nazista de acabar com as pessoas, denegrirem suas honra e dignidade até levar os judeus a uma câmara de gás. Esse tem sido o comportamento de ‘O Estado de S.Paulo’”, afirmou.

matéria da Folha de São Paulo, aqui

Creio que não seja necessário dizer algo sobre o intelecto de alguém que seja capaz de tais comentários, o coronel não consegue sair da catinga, coitado.

E para complementar a resenha das imbecilidades brasileiras, uma notícia que tem um certo gosto de passado.

A mais nova concordata do Vaticano com uma nação independente, e esta nação é o Brasil.

Ninguém sabe o conteúdo da tramóia, a coisa é mantida em segredo.

Abaixo uma foto famoso de um outro acordo do Vaticano, estranho quando alguns fanáticos católicos, os representantes da teologia da danação e muitos deles na imprensa brasileira, ficam indignados quando pessoas resolvem desconfiar desta milenar instituição política,

ICAR e III REich

Vaticano e Brasil assinam acordo jurídico sobre Igreja Católica

O Vaticano anunciou que não serão divulgados detalhes do estatuto jurídico assinado hoje, que, segundo fontes brasileiras, inclui “aspectos relativos à liberdade de credos e ao ensino religioso nas escolas públicas”.

Tá bom, foi do dia treze, mas mesmo assim a notícia é atual.

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A Presença militar dos USA na Colômbia.

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Omissões e justificativas para a continuidade de uma política us americana baseada no domínio pela força.

O presidente colombiano Uribe negocia a utilização de  bases militares pelo US Army, a justificativa no momento está sendo o combate às drogas.

Como introdução seria interessante citar uma passagem de uma matéria publicada na Spiegel Online da Alemanha, a matéria comenta Lula e o Brasil:

A possibilidade de que a região dos Andes se transforme numa região em conflito preocupa o Brasil como potência regional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu frente ao presidente conservador da Colômbia, Uribe, que este concedesse uma garantia de segurança na medida que aceitasse o compromisso onde os us americanos empregariam suas tropas somente dentro do território colombiano. (Spiegel)

Existem diversos pontos questionáveis dentro do argumento de guerra ao narcotráfico, um dos problemas atuais tem sido a forma populista, agressiva interna e externamente com o qual Hugo Chavez tem governado a Venezuela. Chavez pretendendo herdar de Cuba e de Fidel Castro o estandarte revolucionário na América Latina é sem dúvida um fator de desestabilização, seu governo tem sido conectado ao apoio às Farc da Colômbia, o que de forma direta significa apoio ao narcotráfico, mas os métodos ideiais para implementar seu isolamento não seriam os métodos que tanto Uribe da Colômbia quanto Obama nos USA estão empregando, existem outras interesses em jogo e eles são menos nobres, ou possuem explicação um pouco diferente do que está sendo vendida ao aos latino americanos.

Dois aspectos ligados aos USA determinam a decisão em instalar estas bases:(artigo continua no link abaixo)

Presença militar dos USA na Colômbia

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De que lado o Brasil está ?

th bannercreator-brennEm matéria sobre o governo Lula o Economist resolve tocar num ponto crucial que esclarece a ausência de valores de um presidente apaixonado por si mesmo.

O artigo publicado no Economist.com é justo apesar de completamente correto, Lula sempre foi um politiqueiro sindicalista e o período que trabalhou como metalúrgico está longe no passado, usar dois ou três anos no inicio de anos 60 para afirmar que ele seja um ex-metalúrgico é pura embromação, evidente que esta afirmação é retirada da biografia oficial do presidente da republica, mas uma reportagem bem feita deveria ser um pouco mais critica. O artigo comenta pontos positivos do Brasil dentro do aspecto econômico mas salienta algo importante, salienta a incoerência de Lula e sua equipe em defender regimes autoritários e violadores dos direitos humanos como o governo ditatorial chavista da Venezuela ou o sanguinário regime islâmico fundamentalista do Irã, além disto o artigo dá um alerta…(artigo continua no link abaixo).

Googlepages: De que lado o Brasil está ?

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USA e o plano de seguro médico de Obama.

stern krankenExistem coisas que são difíceis de serem compreendidas, outras que são impossíveis.

Como é possível por exemplo aceitar que um país gaste trilhões em armas e guerras baseadas em mentira e não tenha a competência para dar assistência médica para aqueles que não possuem meios para pagarem um tratamento médico privado ?

Existem coisas fenomenais nos USA, a capacidade de mobilização e da ação civil deste povo é um dos exemplos daquilo que possuem de bom, mas uma classe política que se diz cristã e conservadora, e que ao mesmo tempo é capaz de tamanho sadismo e ódio, realmente é algo que embrulha o estomago de qualquer Ser Humano decente.

Veja a seqüencia de fotos(16) publicadas hoje no magazine alemão Stern, não é necessário se entender o idioma, as imagens são esclarecedoras o suficiente.

Quando pessoas esperam por um médico, os doentes nos USA.

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Abraham Lincoln, sobre trabalho e capital

Photobucket"A maior parte das coisas belas são resultado do trabalho, seguindo um caminho justo estas coisas deveriam pertencer à aqueles que as fazem.
Porém através do tempo se constata que alguns trabalham para que estas belas coisas existam e outras que não trabalham se aproveitam destes frutos.
Isto é errado e a continuidade deste sistema não pode ser permitida."

Life and Works of Abraham Lincoln: Early speeches, 1832-1856
Pag. 107

Stop The Bomb

 

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